Chega um momento em que todos tem que parar de dar os seus motivos. Razões, emoções, todas as situações contraditórias que fazem parte da existência terrena nada mais são do que passatempos aos estúpidos que ocilam entre ser ou não ser e eis a questão. Pois então digo que pouco me importam os meios, pouco me importam os fins, os inícios; me interessa os que portam a minha existência em suas mãos, e os que conseguem confiá-las também à mim.
Se tudo é uma grande questão do que existe lá fora, estou focado a mostrar o que existe aqui dentro. E o que eu vejo? (www.flickr.com/yuribrah)
Vejo que me cansam essas pessoas que por falta de consistência na vida pôe a culpa no sistema em que vivem, ou no meio em que sobrevivem, ou nas imbelicidades dos imbecis que de fato existem, mas que pouco influenciam na sua decisão. São tão importantes a ponto de pensar que fazer por quererem fazer, mas pouco percebem que deixam de fazer por um medo tolo do que a vida pode trazer.
E disse, repito: pois que venha. Minha presunção me conforta, meu ego me consola e minha falta de capacidade me ensina que é melhor sem incapaz do que capaz só de registrar sua vida como algo superior divino, ou como um mero acontecimento científico. Meus olhos brilham quando penso que pouco modifica o meu dia ou minha noite as tais questões que todos se mordem os lábios a perguntar.
Não que me convenha pensar sobre o assunto, pois tudo bem, minha curiosidade nunca me permitiria não querer saber de tudo. Mas passa não passa de pura satisfação, e não nascí para ser alguém satisfeito. Nascí para ser alguém, ser adjetivos exatos e sem verbetes modificados pela cultura da época. Pois acreditem, ser alguém, e simplesmente alguém, está cada vez mais difícil em um mundo onde tudo que se tem são confetes terapeuticos.
É preciso estar sempre embriagado. Isso é tudo: é a única questão. Para não sentir o horrível fardo do Tempo que lhe quebra os ombros e o curva para o chão, é preciso embriagar-se sem perdão.
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser. Mas embriague-se.
E se às vezes, nos degraus de um palácio, na grama verde de um fosso, na solidão triste do seu quarto, você acorda, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, pergunte ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunte que horas são e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio lhe responderão: “É hora de embriagar-se! Para não ser o escravo mártir do Tempo, embriague-se; embriague-se sem parar! De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser”.
[video]
Sejamos honestos, o Brasil está super lotado de Lula’s e Marina’s. Gente da gente, trabalhadora, que sabe o potencial de nosso país e, principalmente, o que a gente e o nosso Estado - laico, graças à Deus - necessitam para crescer cada vez mais. Mas vamos convir que isso não é difícil. Saúde, educação, emprego e o resto corremos atrás, está no nosso sangue, caramba!
Por isso mesmo respeito tanto esta geração pé-no-chão-e-enxada-na-mão da política brasileira. Pouco me interessa se de esquerda, se de direita, o que me convém são os meios e os fins. Por isso, repito, respeito tanto esses dois: por não serem acomodados como nós, e nem políticos-opinativos à lá Arnaldo Jabor.
Fazem, fizeram e farão são as palavras de pouca - apesar de aparente - redundância que confio à nova - e espero que futura - política brasileira.
Ontem apontei o dedo para o céu, dei de dedo na cara de o que quer que seja que esteja lá por cima, e tenho certeza não ter sido à base da coragem; vai ver tenha sido por já não saber mais a que recorrer. Se era medo, desespero, falta de crença ou crença demais de que algo possa acontecer, e talvez o medo de que realmente algo possa ocorrer, não sei. Só sei que isso foi assim, e que significado maior que isso não pode existir.
Também são os loucos tímidos,
Como não?
Também são sambistas os poucos
Dentre todos
Os que de pouco em pouco
Vão-se à todos
E importam-se pouco
Com a resposta de todos
E importam-se pouco
Com a vida de todos
Também são mágicos os sambistas,
Como não?
Também são os loucos poucos
Dentre todos
Os que de muito em muito
Esforçam-se por pouco
E que de pouco em pouco
Definham e conquistam muito
Que dentre todos
Os loucos
Vêem-se como poucos
Mas são todos
São todos loucos
Também são os loucos tímidos,
São sim
Dizem muito e falam pouco
Também são os tímidos sambistas,
São sim
Dizem tanto e falam tal qual
Os loucos
Importam-se pouco
Com a vida de todos
Pois o que vale é a magia
Da vida
Da dor
Da poesia
Da festa
Do carnaval
[video]

Não sou fã de fotos de flores
de bodas de ouro
de corações de solidão
sou de loucos amores
quem pode entender essa mente
tende-se a esquecer-se o usual
e passa a perceber o quão imenso é o carnaval
das paixões de um dia
de uma tarde de uma noite
Me perguntaste se uma noite valeria o resto de meus dias. Tudo que pude responder no momento foi:
“Essa noite já aconteceu há algum - nem muito, nem pouco - tempo atrás”. O que não havia percebido no momento é o quão ela - esta memorável noite - me foi corriqueira e me é, também hoje, cotidiana.
Uma pena hoje eu ter uma condição.