My Own Vains
Feliz dia do amigo.

Pois então é hoje o Dia Mundial dos Amigos. Logo aquele dia que deveria ser comemorado em companhia dos amigos, esquecí-me e fui saber só hoje - logo eu, que se diz tão sempre defensor das grandes amizades e comemorações.
Pois é hoje, em um dia em que estou a 800 kilômetros de todos que, agora, ou estão juntos bebendo e se divertindo, ou sozinhos e, enfim… carnalmente sozinhos. Pois é… quem diria.
E que saudade boa! Não dessas que me impõem o piso frio junto à escuridão. Me coloquei em frente ao computador e às fotos antigas e que saudade boa! Dos verões, invernos, primaveras, dos furacões e das calmarias que raramente permeiaram alguma metade de dia. Dos que estão há muito tempo, dos que estão há algum tempo, dos que estão a pouco tempo, e dos que já nem sei a quanto - visto que, desses, não lembro ser sem eles. Dos que estão, enfim; dos que não estão, mas já estiveram e que diferença fizeram!
Injustamente chamo alguns desses amigos de irmãos, de primos, de família. Pois eles estão acima disso: amizade é amizade por não haver qualquer ligação, qualquer importância divina, sanguínia; por não haver qualquer dever de se estar por aquele se não a vontade de estar junto, e só. Claro, os chamo de família por contexto, por até eu mesmo achar que os honro com o fator “família”. Mas são amigos! Amigos, amigos, amigos. Amigos. Palavra estranha se dita muitas vezes, como qualquer palavra de qualquer língua falada, mas que repito e repito, e digo: amigos, amigos, amigos, amigos, infinitamnete.
É claro e óbvia a falta de necessidade dos nomes, pois até quem não gostaria de ouvir isto, sabe. E o bonito é isso, o chapéu vais lhe caber sem eu nem precisar dizer.

To longe, mas to perto. Por mais que quisesse estar sempre perto.

Ser sincero comigo mesmo nunca foi o remédio,
a cura talvez seja ser sincero contigo. Mas não suporto a idéia de me ver sugado novamente pelos seus mesmos palavrões de classe, quando tudo o que tenho para dizer é que realmente gostaria que você se fodesse - comigo.
Você só vai repetir suas analogias e suas insuportáveis palavras fúteis e bonitas, e cortantes, e suas pontuações e expressões de extrema importância própria; é um ego pomposo contra meu ego bêbado:
sincero, simples, e absurdamente enfático e exagerado.
O seu ponto vai ser me rebaixar,
me fazer cheirar o piso,
um estupro verbal de silêncio perturbador. Eu vou apenas aceitar, como sempre aceitei, e vou continuar amarrando meus sapatos sabendo da pedra sem contestar. É uma dor, mas algo que te faça lembrar. Irônico isso:
tenho a pedra para lembrar e a bebida para esquecer.
Que nome tem isso, afinal?
Bipolar? Desesperado?
Não, não. Nem o que pensam agora, rima muito bem, mas sonoridade por sonoridade também são sonoros os gemidos e os berros abafados de cantores de boteco.
Que nome eu não sei. Nunca precisei, então por que agora?
Não sei. E pare-me de fazer perguntas!

Ouve um tempo em que pensei
ser mais importante ser importante.
Hoje em dia só queria ter sido importante o bastante para te fazer sentir pesar
por não termos conversado
e por não teres achado
que tudo ia ficar bem. Mas agora tanto faz, tudo que tinha para passar
não deixou de passar, e tudo o que tínhamos por lutar já não existe mais.
E eu já não sei mais o que fazer para apaziguar essa eloquencia de “sinto muito” que penso em sentir. E não sei se é minha insistência ou se realmente é sentir algo,
mas faz tanto tempo. Qual é mesmo a cor dos olhos, ou o tom de voz, ou qual é mesmo o motivo pelo qual tudo se enrolou?
Não sei responder. Sei o que estou fazendo em um nível simples de compreensão:
sentei
conversei com outros
conversei comigo
conhecí outro
conversei comigo
mas o que estou fazendo realmente não sei. Tomei do vinho para esquentar, tomei do conhaque para esquentar, tomei o cobertor de meu irmão e tentei me esquentar. Mas talvez não seja calor o que precise. Talvez seja mais conhaque.

Tem certas coisas que se aprende com o tempo, outras que persiste-se em não aprender. Tudo entendo ser um pouco de cada coisa, não muito de apenas uma. Se cambaleio entre par e ímpar, não é não saber o que querer, é ter braços grandes o bastante para abraçar mais do que se possa imaginar. Ter muitas certezas na vida é duvidar de muita coisa.

Da espera já nem sei mais o motivo, tampouco da quietude que me cerca.

Da espera já nem sei mais o motivo, tampouco da quietude que me cerca.

Tudo me passa pela cabeça rápido demais. Já tive medo disso, hoje em dia sinto um certo desejo para que a grande maioria das coisas sejam assim; o receio permanece - por que sentido, então? Então, nem sei - mas o desejo de não deixar-se desperdiçar por idéias fracas, das que morrem tão fracamente, por nada, me é válida quando penso que algumas se salvam e, essas sim, me perturbam. Aí sei, são essas que valem.

- Por que sentido, então?

- Então, nem sei.

De novo.

De novo.

O mundo é o que sou, e o mundo é tudo que sou por simples razão: nascí do mundo e sou o mundo. À partir disso, se me tenho, tenho-o.

O mundo é o que sou, e o mundo é tudo que sou por simples razão: nascí do mundo e sou o mundo. À partir disso, se me tenho, tenho-o.